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Norma

Norma é um princípio que serve de “regra” ou de “lei“.

A gramática normativa é, portanto, um conjunto de regras que dita como a língua deve ser, impondo um comportamento padrão.

A real utilização da língua pelos falantes, no entanto, não reflete as normas gramaticais. Na prática, a língua é heterogênea, apesar de existir uma norma geral que busca padronizar a comunicação formal, como em redações, documentos oficiais e textos acadêmicos.


1. Norma Culta

A norma padrão da língua é estabelecida a partir da variedade utilizada pela camada mais culta da comunidade linguística, além de levar em consideração a escrita de textos literários consagrados nacionalmente. Daí também ser chamada de “norma culta”.

A norma culta tem caráter estático, enquanto a fala é dinâmica e apresenta uma evolução, como podemos ver nos empréstimos linguísticos (termos incorporados a partir de palavras estrangeiras – como “marketing” e “status” – que não precisam mais de tradução).

Quando a norma ou regra da variedade padrão não é obedecida, costuma-se dizer que houve um “erro” – um conceito muito discutido e criticado, visto que muitas vezes o erro não prejudica a comunicação.

Entretanto, a norma culta atende à necessidade de padronização no uso formal da língua, em redações de documentos oficiais, em discursos políticos, em trabalhos acadêmicos, em apresentações e em palestras.


2. Erro na Língua

A linguagem deve estar adequada à situação comunicativa em que se encontra (a linguagem requisitada em uma palestra é diferente da utilizada em um churrasco com amigos). O mesmo fenômeno adaptativo acontece com a vestimenta.

A norma culta pode ser quebrada intencionalmente, como no poema “Pronominais”, de Oswald de Andrade, que critica justamente a inadequação linguística do uso formal da língua em contextos informais.

Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco 
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro.

Promonimais – Oswald de Andrade

É necessário, portanto, o estudo da língua em suas diversas formas, daí a importância da escolarização e da educação formal: permitir com que todos os indivíduos possam transitar entre os diferentes níveis de linguagem.


3. Preconceito Linguístico

Uma pessoa pode receber avaliações negativas por causa da língua que fala, ou do modo como fala a sua língua.

Assim como ocorre com o preconceito social, o preconceito linguístico se dá através da comparação entre um padrão ideal (no caso, a norma culta da língua) e uma variação manifestada (no caso, as diferentes variações linguísticas).

Daí a rotulação da fala de determinado grupo social como “errada” ou “feia“, como no caso da ausência das marcações de plural (“nós vai”, “as menina não chegou”).

A sociolinguística investiga o processo de variação e mudança na língua, estudando a relação entre o modo como os falantes falam e determinados fatores sociais.

A norma culta ainda é privilegiada nas escolas como único meio para alcançar o prestígio social, e tem sido usada como instrumento de dominação social e discriminação de pessoas.

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Author:

Actor, Language Consultant, Astrologist and Game Design Student. Sagittarius, 26 y.o. - São Paulo/BR

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